A Educação e Formação no sentido da Capacitação dos Adultos

Dimensão analítica: Educação, Ciência e Tecnologia

Título do artigo: A Educação e Formação no sentido da Capacitação dos Adultos

Autora: Helena M. Carvalho

Filiação institucional: Doutoranda do curso de Sociologia, Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade do Minho

E-mail: hmsc0804@gmail.com

Palavras-chave: Educação, trabalho, inclusão, cidadão.

Ao questionar sobre a importância da educação de adultos, devemos pensar sobre os direitos de cidadania em todas as dimensões sobre os quais nos devemos debruçar [1]. É necessário que o Estado assegure a igualdade de oportunidades e condições socioeconómicas mínimas para todos os indivíduos. Pois com condições criadas e benefícios adjacentes às mesmas, também serão criadas obrigações por parte dos indivíduos [2].

As respostas como formas de inclusão podem ser várias, começando pelo local de trabalho, lugar privilegiado em que as pessoas se identificam com o projeto da modernidade, em dois sentidos: tanto para aqueles que promovem trabalho como uma forma de acumular riqueza, como para aqueles que foram mobilizados para esse processo enquanto trabalhadores [3]. O trabalho, pode ser definido como uma “forma que assume, em determinadas circunstâncias, a atividade de uma pessoa” [4]. Ou seja, o “trabalho compreende a atividade humana produtiva, inserida numa unidade económica de produção, remunerada, destinada a assegurar a manutenção, considerada esta em sentido amplo, isto é, que permita um nível de vida adequado à realização do homem.” [5: p. 14]

Contudo, para uma melhor resposta ao trabalho o cidadão deverá estar inscrito em meios de formação contínua, um processo de desenvolvimento da pessoa e da sua relação com o trabalho. Pois esta intervenção terá como objetivo a (re)construção de possibilidades de integração profissional e social. No entanto, nunca descurando o papel do adulto que deve ser visto como sendo sujeito da sua própria socialização [6]. Com a educação e formação, o adulto poder-se-á tornar mais participativo, mais ativo, podendo ser o momento oportuno para despoletar as suas potencialidades. Pela participação pessoal, o ser humano recupera e reafirma a confiança em si mesmo e nos outros. Esta representa uma alternativa às estruturas de dominação que determinam a sociedade. Assim, quem participa tem mais facilidade em encontrar um sentido para a sua vida [7]. A educação de adultos é cada vez mais uma responsabilidade individual e coletiva que deverá ser um motor que fomente a reflexividade para a cidadania ativa em cada indivíduo [8].

Como? Os cidadãos ao depararem-se com uma situação nova, possuindo insuficientes recursos de escolarização e formação, ficam fragilizados perante o risco de exclusão. Esta situação, inicialmente é sentida a curto prazo na relação do trabalhador com o seu posto de trabalho, por exemplo. Contudo, a longo prazo, conduz à extinção dessa relação, podendo posteriormente, o trabalhador ser excluído/demitido da empresa. É nesse sentido que se torna importante “ajudar as pessoas a aprender a ajudar-se a si mesmas” [9: p. 54], mesmo àqueles que se encontram menos capazes de uma autoajuda [9].

Em suma, as pessoas precisam de ser educadas para se tornarem mais capazes de examinar a sua situação e para que possam refletir sobre o que lhes acontece e as razões desses mesmos acontecimentos [10]. Torna-se cada vez mais urgente proporcionar uma adaptação às mudanças tecnológicas e mudanças técnicas, promover socialmente os indivíduos e contribuir para o desenvolvimento cultural, económico e social dos mesmos [4]. E esses objetivos serão mais facilmente conseguidos com a promoção da formação ao longo da vida, de acordo com todos os indivíduos e de acordo com os contextos em se encontrem inseridos, favorecendo, assim, a promoção social dos indivíduos e, por outro lado, o desenvolvimento cultural, económico e social.

Notas:

[1] Cardoso, Júlia (2008). “Estratégias de Empowerment e Acção Social”, CAIS, Empowerment, Capacitar para Participar. Lisboa: Padrões Culturais: 54-70.

[2] Figueira-mcdonough, Josefina (2008). Democracia e Empowerment Estrutural Exclusão como Problema Político, CAIS, Empowerment, Capacitar para Participar. Lisboa: Padrões Culturais: 54-70.

[3] Stoer, Stephen R. e Magalhães, António M. (2005). A Diferença Somos Nós, A Gestão da Mudança Social e as Politicas Educativas e Sociais. Porto: Edições Afrontamento.

[4] Ramos, Maria da Conceição Pereira (2003). Acção Social na área do Emprego e da Formação Profissional, Lisboa: Universidade Aberta.

[5] Moura, João (2003). Economia do Trabalho, in Maria da Conceição Pereira Ramos (2003). Acção Social na área do Emprego e da Formação Profissional. Lisboa: Universidade Aberta.

[6] Roche, Pierre (2001). “Le laboratoire secret de la production de l’exclusion”, in Précarisations du Travail et Lien Social. Des Hommes en trop?, Roche, Pierre e Abécassis, Frédéric (coord.), Paris: L’Harmattan: pp. 27.40.

[7] Torrado, Santiago Sánchez (1991). Educación de Adultos y Calidad de Vida. Barcelona: El Roure Editorial, S. A.

[8] Wildemeersch, Dirk. (1998). Adult Education and Social responsability Reconciling the irreconciliable?, Frankfurt: Peter Lang.

[9] Dias de Carvalho, A. Baptista, I. (2004), Educação Social, Fundamentos e estratégias, Volume 1, Porto: Porto Editora;

[10] Seal, Mike, Helleren, Simone (2008). “Empowerment e Advocacy”, CAIS, Empowerment, Capacitar para Participar. Lisboa: Padrões Culturais: 54-70.

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